
Ficou mais acirrada a briga entre ruralistas e ambientalistas sobre a pretensa revogação da legislação ambiental. Ao todo, 15 ONGs, entre elas SOS Mata Atlântica, WWF e Greenpeace, enviaram um comunicado ao Congresso Nacional rejeitando a proposta de revogação ou modificação das principais leis ambientais brasileiras. O comunicado alerta que os "os principais instrumentos de gestão ambiental em vigor, como a criação de unidades de conservação, as reservas florestais legais, as áreas de preservação permanente, o licenciamento ambiental e o Conselho Nacional de Meio Ambiente poderão ser revogados ou enfraquecidos para atender exclusivamente, por encomenda setorial, os ruralistas". O comunicado informa que a bancada ruralista pretende modificar o Código Florestal Brasileiro, a Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, a lei de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Estas mudanças estão previstas nos Projetos de Leis (PLs) 1876/99 e 5367/09 propostos pela bancada ruralista do Congresso Nacional e que tramitam em comissão especial formada por maioria de parlamentares ligados ao agronegócio, dizem as ONGs. Brigam por um novo Código Ambiental Capixaba os deputados Atayde Armani (DEM), Luciano Pereira (PSB) e Freitas (PTB); o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha; o superintendente estadual do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Neuzedino Alves de Assis; o coordenador da Comissão de Agricultura da Ales, José Roberto Silva Hernandes, e o responsável pelo Departamento de Recursos Naturais Renováveis do Idaf, Robson Britto. Eles querem que um novo código florestal seja criado em âmbito estadual. A intenção, segundo foi informado pela Assembléia Legislativa, é criar uma legislação que compatibilize a produção agropecuária com a preservação do meio ambiente, para que o produtor rural possa se adaptar às exigências da lei. Entretanto, desde a formação da comissão, nada mais foi dito, enquanto ambientalistas reclamam a falta de informação e divulgação sobre o processo. Um dos casos mais polêmicos em relação ao Código Estadual Ambiental ocorre em Santa Catarina. Lá, segundo os críticos, a medida colocou em risco os topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas e terrenos com declividade superior a 45º. Tanto lá quanto aqui isto comprometeria não apenas os recursos hídricos, mas até mesmo os próprios ocupantes de áreas de risco, em função de enchentes e desmoronamentos, como ocorreu naquele estado. Lutam contra as alterações na legislação ambiental brasileira em Brasília as ONGs Associação Preserve a Amazônia, Apremavi, Amigos do Futuro, Conservação Internacional, Ipam, Fundação SOS Mata Atlântica, Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), Greenpeace, Grupo de Trabalho Amazônico, Rede de ONGs da Mata Atlântica, SOS Pantanal, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesqusas Ecológicas, Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) e WWF.
Fonte: Seculo Diario